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Instroduzir Sólidos - Parte I - Baby Led Weaning, O Que é e Quais as Vantagens

Friday, October 13, 2017

A introdução de sólidos é uma fase muito divertida, mas que pode criar alguma ansiedade e muitas dúvidas. E, embora o facto de já ter uma filha já me dê alguma bagagem, em muitas coisas parece que estou a aprender tudo de novo. E, às vezes, estou mesmo, porque aproveito esta segunda oportunidade para experimentar coisas novas e diferentes. E o método de introdução dos alimentos é uma delas!

Se me seguem no Instagram, já perceberam que estou a seguir o Baby Led Weaning (BLW). Estou tão fascinada com este novo mundo e com o que tenho aprendido, que queria muito partilhar tudo convosco. Como a informação é muita, decidi reparti-la por diferentes posts para ser mais fácil de absorver.

Neste primeiro post queria falar um pouco sobre o que é o Baby Led Weaning, as suas vantagens e o que é que me levou a querer implementá-lo.

O que é o Baby Led Weaning

O BLW não é mais que um nome 'pomposo' para o que a Natureza nos preparou para fazer: deixar o bebé alimentar-se a si próprio. O termo foi usado pela primeira vez por Gill Rapley and Tracey Murkett no seu livro "Baby-led Weaning: Helping Your Baby to Love Good Food".

É mais do que um método de introdução alimentar. É uma forma diferente de encarar a alimentação e baseia-se na premissa de que o bebé sabe, melhor que ninguém aquilo de que precisa e regular o seu apetite, por isso, é ele que decide quanto e como comer; é o bebé que está no "comando" [e não vale pedir "só mais uma colher!].

Para além deste princípio, no BLW, as refeições são encaradas como momentos de família e partilha, onde todos comem em conjunto, porque é ao ver os outros que o bebé aprende o que deve fazer.

Vantagens do BLW

1. Mais fácil e mais barato

Vamos começar já pela razão mais “superficial” — menos tempo na cozinha a preparar refeições para o bebé (para além das refeições para o resto da família) e/ou menos dinheiro gasto em boiões de comida ou papa de bebé. E como o bebé alimenta-se sozinho é possível (e desejável) partilhar refeições em família e comer ao mesmo tempo que o resto das pessoas.

2. Aprende as “técnicas” para comer mais cedo

Bebés que se alimentam sozinhos, aprendem a mastigar antes de engolir e a reconhecer o reflexo de vómito (gag reflex) como sinal para continuar a mastigar mais um pouco. Bebés que começam com sopas, normalmente aprendem a engolir primeiro, o que não os deixa explorar o gag reflex.

3. Menos “esquisitisses” à mesa e mais propensão para explorar e aceitar diferentes comidas e texturas

O período entre os 6 e os 9 meses é considerada como uma janela de oportunidade para o desenvolvimento da mastigação. Se durante esta fase não introduzimos texturas mais sólidas, corremos o risco de, mais tarde, quando os quisermos introduzir, termos um bebé mais difícil de alimentar (mais “esquisito”). Por isso, mesmo que opte por começar pelos purés, a partir dos 6 meses, deveria também oferecer comida sólida ao seu bebé, para o deixar aprender a comer sozinho e a lidar com diferentes sabores e texturas.

Além disso, as crianças aprendem através da brincadeira e do “fazer” e, por isso, mexer com as mãos e ficar sujo faz parte da aprendizagem. Se os deixarmos explorar à vontade e ao seu próprio ritmo, como no BLW, eles tornam-se muito mais abertos a experimentar coisas novas. Pelo contrário, se não os deixarmos mexer e se estivermos sempre a limpá-los, vão acabar por ficar frustrados e mais dificilmente irão aceitar coisas novas. Por isso, guarde as limpezas para o final da refeição e, ao contrário do velho conselho, deixe o seu bebé brincar com a comida!

4. Maior sintonização com o próprio corpo e com as sensações de fome e saciedade

O pressuposto do BLW é que os bebés sabem, melhor que nós, perceber quando têm fome e quando estão saciados. Quantos de nós não desejavam voltar a ter esta capacidade? Especialmente na nossa cultura das dietas que levam, muitas vezes, ao binge eating? Como é que uma coisa tão básica e tão simples se tornou um objectivo tão difícil de alcançar? Bem, nós podemos ajudar a evitar que o mesmo aconteça aos nossos filhos, ao promovermos o respeito e confiança no seu próprio corpo.

Por esta razão pode também evitar problemas de peso no futuro.

5. Estimula a motricidade fina

Confesso que o que mais adoro no BLW (para além de conseguir fazer refeições em família) é poder observar a minha bebé a mexer e a tentar pegar na comida. Dá para sentir a sua concentração e o esforço que faz para tentar agarrar os pedaços de comida à sua frente. É um verdadeiro exercício! E repete-se 3 vezes ao dia, todos os dias. Isso é muito treino! Arrisco-me a dizer que é muito difícil haver uma outra actividade tão completa e que estimule tantos sentidos, para bebés desta idade, como esta.

6. Promove uma relação saudável com a comida 

Entraves comuns ao BLW

Para acabar, queria só falar sobre as duas dúvidas ou entraves mais frequentes à implementação do BLW e talvez acabar com alguns mitos:

Cria muita “sujeira” e confusão

É verdade que este método gera, inicialmente, muita confusão e acaba-se com comida em todo o lado (até mais no chão do que na boca). Mas isso é apenas temporário e, o que normalmente acontece, é que as crianças que seguem o BLW acabam por ganhar destreza com a colher e garfo mais cedo e não costuma haver tantos pratos cheios de sopa a voar pelos ares. Além disso, “muita sujeira” não é, provavelmente, a melhor razão para decidir que tipo de método usar.

Há maior risco de engasgamento

A verdade, é que nos estudos realizados, tem-se vindo a concluir que não há maior probablidade de engasgamento em bebés a seguir o BLW. Além disso, quando há episódios de engasgamento, eles devem-se, quase sempre, a alimentos específicos que são considerados “de risco”. Por isso, evitando estes alimentos, ou preparando-os de forma mais segura, não há que evitar o BLW por medo de engasgamento.

E por aí? Quem está a pensar implementar o Baby Led Weaning? Quais são as vossas motivações e principais preocupações?


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